sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Monturo

(Digite aqui sua introdução para este poema).


Contente com o alheio repúdio
Passo vendo as caras escarninhas
Em um corredor doente e imundo
Feito um jardim de ervas daninhas

Um sorriso curto me serve de escudo
Vou até o fundo, de onde fico atento
A cada parte de nada, e a cada tudo
Pendurados no ar parado e amarelento

Abro da janela uma pequena fresta
Pra deixar sair a doença dos corpos
Os porcalhões continuam a festa
Dando guinchos felizes, feito porcos

Querem a minha saúde e liberdade
Querem minha vaidade e desdém
Mas eu não sou dessa cidade
Nem estou próximo a ninguém

Logo me esquecem, pra meu deleite,
Vendo que não me podem seqüestrar
Então deixo de ser o enfeite
Da alheia maldade e bem-estar

Vou para casa, mas não é o fim
Amanhã tem mais corredor eterno
Meu paraíso vai continuar assim:
Até dezembro com cara de inferno.


Diorgi Giacomolli, 20 de Agosto de 2009.

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